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Ao futuro!

03.05.13

Quanto tempo passou? Nove meses. Nove meses de desemprego é mais do que uma licença de maternidade em Portugal. Superei os cinco meses. E se há coisa que aprendi é que a tranquilidade que se ganha com o desemprego também demora a chegar. É uma tranquilidade que vai amadurecendo. A mim, foi preciso chegar até aqui, até Maio. Para finalmente respirar de forma diferente, com uma certa normalidade, sem o coração apertado. Talvez estes nove meses, que parecem uma eternidade quando penso neles, tenham sido os mais importantes da minha vida.

Ontem, numa entrevista de emprego, dizia que a experiência de estar desempregada tem sido uma grande lição de vida. Não só porque nos ajuda a lembrar quem somos. Como também nos dá tempo para pensar e para não pensar, para fazer coisas ou não fazer nada. Abre oportunidades para fazer alguma coisa por nós ou pelos outros. Eu fico sempre um pouco frustrada porque gostava de concretizar mil e uma coisas para as quais me falta coragem. Mas, pelo menos, já as identifiquei e já as projectei. Umas na cabeça, outras no papel.

Nestes últimos nove meses eu tenho descoberto tanta coisa. Tenho feito novas amizades, tenho cuidado das velhas amizades com carinho, tenho uma dependência brutal daquilo que se chama família. Tenho uma grande dose de equílibrio que misturo com outra maior de maluquice. Continuo solteira aos olhos da lei e aos olhos de quem liga a alianças. As minhas filhas de Verão e da Primavera são o meu porto seguro, tal como eu sou para elas. Tenho um marido que não é marido com os cabelos cada vez mais prateados, que cool! E, em breve, terei um novo emprego. Um brinde ao futuro!

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publicado às 19:01

Férias

24.03.13

Nas férias é impossível cumprir horários. Elas quiseram ir dormir às 19h00 e eu pergunto-me agora a que horas vão querer jantar. Que durmam! Sempre ouvi dizer que dormir é crescer! Há dias que são maiores. E depois há noites que compensam os dias maiores. Amanhã podem fazer um pequeno-almoço reforçado. 

Hoje, a filha do Verão tanto mexeu no manequim de uma loja, que acabou por lhe arrancar a peruca loira. Ela estava tão entretida que certamente julgava estar a brincar com a Rapunzel. E eu e a avó, indecisas entre t-shirts, só reparámos quando a peruca saltou. A verdade é que foi um momento bom. Porque todas rimos muito, até chorar. As férias também servem para isto, para os miúdos terem pequenas histórias, só suas, para contar. Como a nossa passagem pela Disneyland Paris, com muito frio e chuva constante. Um conto de fadas quase transformado em pesadelo. C'est la vie! Com a filha da Primavera a fazer febre. A cair da cama. A dar-me uma valente dentada no dedo enquanto experimentava a massa folhada que forrava a minha tigela de creme de abóbora com cogumelos. O restaurante inteiro parado com o meu grito. Mais gargalhadas. Os croissants e os pains au chocolat, com nutellas individuais para barrar, rebentaram com quaquer dose diária recomendada para crianças. E eu a pensar: estamos de férias, estamos de férias, estamos de férias. A filha de verão deu-se bem com o buffet. A filha da primavera não queria nada. Mas agradecemos ao buffet pelas sopas fantásticas e pelas pizzas que nunca faltavam e que sempre a faziam trincar. Nas férias podemos estar mais despreocupados. E sair do hotel, com a almofada debaixo do braço "porque é muito, muito fofinha", dizia uma delas. 

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publicado às 21:51

Vento frio

23.02.13

O vento assobia lá fora. A pequena palmeira baloiça. Está frio. Mas o dia até esteve bonito. Não tenho muito para dizer hoje. A não ser que tenho frio dentro de casa. É mais psicológico do que outra coisa. É do vento a assobiar. Tenho imensas ideias na cabeça. Tenho tempo para escrevé-las. Não me posso queixar disso, da falta de tempo. Quem sabe o que resultará de tantas ideias? Ainda no outro dia, a filha de Verão disse: "Aquela nuvem parece-se com uma galinha a fugir de uma mulher que a quer cozinhar". Uau! Descritivo. Não fui para casa cozinhar nenhuma galinha. Mas ontem fiz pela primeira vez risotto de cogumelos. Ficou razoável. Pelo menos, razoável o suficiente para confortar a barriga. Risotto combina com dias frios. 

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publicado às 17:45

"A minha mãe não tem trabalho"

05.02.13

Elas, sentadas no sofá, a rever a "Princesa Sofia". Eu a pensar na chapada verbal que levei enquanto conduzia de regresso a casa. "Correu bem o dia, meninas?" Foi então que ouvi: "A professora nova perguntou qual era a profissão dos nossos pais. Eu nao me lembrava da profissão do pai. Mas disse a minha mãe não tem trabalho. Trabalha em casa ao computador". Respiro fundo. E, em efeito criança, respondo contrariada: "Podias ter dito que era jornalista"... Ela diz que não, que eu já não sou jornalista porque já não trabalho no jornal ou na revista. Não fosse esta uma semana maravilhosa, ficaria de rastos. A minha filha de Verão, não lhe chama desempregada, não lhe chama doméstica, mas diz no colégio, para todos ouvirem, que a mãe não tem trabalho. Mas podia não ter trabalho e não ter computador que seria bem pior!!! Eu gostava que ela tivesse dito que eu sou jornalista, porque cá dentro, é o que continuo a ser. Mas trabalhar em casa, num computador, talvez não seja assim tão mau. Há coisas que não se disfarçam. Há coisas que não se escondem por muito tempo. Nem mesmo a miúdos destas idades. Eu aprendo muito com elas, como hoje, neste final de dia, aprendi.

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publicado às 19:46

Xadrez e outras coisas

25.01.13

Começamos a manhã muito cedo. Nem acredito que me consegui sentar hoje a tomar o pequeno-almoço. Tudo ia bem. O relógio na parede da cozinha dizia-me que tinha tempo para estar sentada pelo menos mais sete minutos, precisamente. Nisto, viro a cabeça para o lado e quando dei por mim estava um tabuleiro de xadrez em cima da mesa. Stress. O leite da filha de Verão devia ter alguma coisa que lhe fez mal. Ninguém joga xadrez antes das 08h30. Além disso, eu nem sequer sei jogar. A filha de Verão suspira. E diz: "então vamos lá..." numa paz que me desconcerta. A filha da Primavera, diz que já comeu muito, como sempre. Não comeu quase nada. Depois, pergunta mais uma vez se falta muito para fazer anos e que gostava muito que eu lhe oferecesse a Ariel com o seu princípe. "Sim, logo se vê, come lá, come lá..." A manhã começa muito cedo. Mas hoje correu muito bem. O tabuleiro de xadrez desapareceu. Não me importo que elas sejam malucas por bonecas. Que façam chás e salas de aula, em que a Jasmin, a Mulan, a Rapunzel, são as alunas. Não  me importo nada porque também gostam de jogar xadrez. E de me ensinar novas estratégias de cálculos... que eu nunca aprendi! Elas foram para o colégio. Eu fui para o hipermercado. Mais uma vez, alguém ocupou o meu carrinho de compras. Para a próxima, vou levar uma caneta de acetato e vou escrever em letras pequeninas: ACA. E depois vou aguardar, perguntar à pessoa que ficou com o meu carrinho se sabe o que aquilo quer dizer: ACA. Sim, é Ana Cunha Almeida. Isso mesmo. Enquanto arrumava as compras e a cozinha, encontrei o tabuleiro de xadrez todo preparado no armário dos pratos. 

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publicado às 14:45

Ser ou não ser desgraçada

17.01.13

Vem isto a propósito de um desabafo da Catarina Beato no http://diasdeumaprincesa.blogspot.pt/ Sobre a vergonha que alguns desempregados sentem cada vez que compram alguma coisa que fuja ao estritamente essencial. Umas botas novas, por exemplo, como ela contava. Esta semana também andei com o pensamento a fugir-me para o tema. Há um sentimento na sociedade de que os desempregados são desgraçados e, como tal, têm de ser miseráveis. Mais ou menos isto. Só não o sinto mais na pele porque realmente não olho para mim como miserável. Já senti culpa, confesso. De entrar numa loja e pensar: “O que é que estás aqui a fazer?” Culpada não sei do quê, pois não fiz nada para isto acontecer. Também já me senti ofendida por empregadas que falam como se fossem milionárias. Quando, na verdade, devem receber menos do que eu recebo de subsídio de desemprego. “Ah, estes brincos venderam-se todos logo…”, dizem isto com uma superioridade e estamos a falar de brincos a 50 e a 80 euros. Aliás, o que mais nós vemos na rua são brincos daqueles aos caídos, uma pechincha! Bem, o que eu sei é que hoje tenho sono e acordei rabujenta. Mas já me passa. Não termino a semana sem ir ao Centro de Emprego de Cascais, mostrar que sou uma menina bonita. Que cumpro as minhas obrigações. Que estou fazer tudo certo! Lá levarei o dossier debaixo do braço e os caracóis a balançar. E aviso já que quando sair da fiscalização idiota, passo a estrada para o outro lado e entro na Comptoir des Cotonniers porque preciso de um casaco novo. E estamos em saldos. Um beijinho para a Catarina.

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publicado às 12:26

As amendoeiras em flor

15.01.13

As clementinas que comprei no mercado de Olhão na manhã de Sábado já desapareceram quase todas. As miúdas deram cabo delas. Bem dizia a senhora que eram "mel, puro mel", a 30 cêntimos o kg. Arrependo-me, agora, de não ter comprado mais. Eu sempre gostei de mercados, desde pequena. E aquele deu para dar várias voltas. Voltas e mais voltas. As cenouras eram todas a 80 cêntimos/kg. E quando encontrei a 60 cêntimos, já só restavam na banca três ou quatro. Quem sabe comprar em mercados, sabe. Eu era apenas uma turista acidental por ali. Mas ainda comprei clementinas e limões. Trouxe o cheiro das laranjas, sobretudo. A imagem das amendoeiras já em flor, algumas com fruto, embora ainda tenham de esperar pelo calor. Trouxe ideias para cozinhar alfarrobas e fiquei a saber que há plantações de pêra abacate no Algarve, pelo menos de três espécies diferentes. Penso na salada de abacate que vou fazer quando estiverem no ponto. Trocos nas mãos. Uma senhora que se recusa a aceitar 3 cêntimos: "Deixe lá isso, menina". Ali, ainda sou menina. 

Sol e frio num Algarve de inverno, quase deserto. Eu passei por Olhão, mas prometo que não andei a roubar alumínio e ferro... 

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publicado às 15:34

Diz que é 2013!

03.01.13

Só com o regresso à escola é que se põe fim aos doces de Natal. As miúdas lá foram. Mais crescidas, uma mais desdentada. Eu fiquei cansada de tanta comida, tanta guloseima. Chega de filhoses, de rabanadas, de frutas cristalizadas, de frutos secos, de chocolates ... de Pandoro com mascarpone. Preciso de tempo para me encher de doces outra vez. Achei graça à "Sábado" hoje, com o tema de capa. Não sigo dietas mas que me apetece fazer dieta, apetece. Refresh. É um novo ano. Ainda não dei muito pela diferença mas é um novo ano. Todos querem um emprego, um desafio, alguma coisa nova para começar profissionalmente. Eu sei, não é um desejo original. Mas quantos portugueses trincaram as passas à meia-noite e pediram um emprego? A vida continua. Neste início de ano novo continua tudo igual. Continuo a não abrir os sites de emprego. Não há emprego. Há aldrabices e chico-espertismo. Está sol e frio. Já estamos em 2013. E segundo os astrólogos eu vou estar em grande porque sou escorpião! 

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publicado às 14:56

Nada

16.12.12

Quando se vai ao Chiado encontra-se sempre alguém. Eu encontrei. Um grande amigo num abraço, uma conversa solta com uma colega de outros tempos. Nestes encontros imprevísiveis, nem sempre tenho a melhor das conversas.  Às vezes dou respostas tão impulsivas que pareço um pouco louca. E claro que à pergunta: O que estás a fazer agora? Assim na imediatez, disse: "Nada". Um nada seco. Quando na verdade nem eu sei o que estou a fazer. Bem, não estou a fazer nada. Mas não me sinto a fazer nada. Tenho um sorriso sincero estampado no rosto. Tranquilo. Mas estou desempregada. Não estou a fazer nada. É difícil encontrar palavras. Simples palavras quando é tudo tão complexo. Tenho alturas em que sinto que sou capaz de fazer tudo. Tenho outras em que não me apetece fazer mesmo nada. O nada é a palavra que resume assim à bruta o que sinto. Mas farto-me de trabalhar. Em casa, com as miúdas. Penso muitas vezes na minha Galyna. A empregada que cá andava há já sete anos e que também ficou desempregada, por arrasto do meu desemprego. Tão injusto. Era incontornável,  eu sei. Sinto saudades dela, pela amizade. Sinto saudades dela também por tudo o que fazia cá em casa e que eu não consigo fazer com a rapidez com que ela fazia. Que treta. Vou-lhe ligar esta semana. O  Natal está a chegar. Ela gosta de rosas e chocolate. Eu descobri umas rosas de chocolate na Arcádia para lhe oferecer.

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publicado às 18:17

Botas da avó Rosa

06.12.12

Eu tinha calçado uns adolfo dominguez de salto alto. E à medida que a noite avançava, pensava na minha mãe. Piada fácil. A minha mãe consegue andar na perfeição em cima de quaisquer saltos. Sobre qualquer superfície. Não há calçada portuguesa que a faça desistir. Estava um frio de rachar naquela noite da inauguração. Fazia sorrisos, cumprimentava algumas pessoas. Mas continuava a pensar nos sapatos. De como Londres não é Lisboa. De como não tem calçada portuguesa. Mas também da dimensão da própria cidade. De como tinha sido uma anormalidade ter calçado aqueles sapatos. À minha volta, todos com uma garrafa de cerveja polaca na mão. Eu sonhava com um copo de vinho tinto. A  malta toda de ténis. Nike atrás de Nike, todos ou quase todos muito sujos. A combinar com o traje. Podiam ser mendigos mas eram artistas. Numa descontração tal que em Portugal seria uma coisa estranha. Ali estávamos. Felizmente havia o Jr para me apoiar. Felizmente haviam as chamadas "botas da avó Rosa" dentro de um saco no bengaleiro. Mais não eram do que botas rasas, quentinhas, com pêlo por dentro, mas muito à velhota. A nossa avó tinha umas assim. Há um momento qualquer em que desço as escadas e penso que nada justifica tanto sofrimento. Atiro com os sapatos, calço as botinhas fofas e volto a subir para a exposição. Só com a gargalhada da minha irmã em pensamento, assim que olhasse para os meus pés. No mundo artítico, há coisas que não têm importância absolutamente nenhuma. E esta era uma delas. 

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publicado às 15:46


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