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A pergunta

10.05.13

Saímos da praia. Eu já devia estar habituada. É no carro que surgem sempre as perguntas mais importantes da nossa vida.

Esta inexplicavelmente surgiu só hoje. Nós achamos que conhecemos os nossos filhos melhor do que ninguém. É verdade. Basta olhar para os olhos deles. Esquecemo-nos que eles também nos conhecem desde o tempo da barriga. Obrigada, querida J., por só me perguntares o que perguntaste, hoje. Depois de um final de dia com os pés na areia e mãos lambuzadas de gelados. 

 

Filha de verão: - Porque é que saíste do jornal?

Eu: (pequeno silêncio) - Porque o meu director quis que eu saísse.

Filha de verão: - E tu querias sair?

Eu: - Não.

Filha de verão: - Porque é que ele queria que tu saísses?

Eu: - Porque é desonesto.

Filha de verão: - O que é ser desonesto?

Eu: É ser falso

Filha de verão: - O que é ser falso?

Eu: - É ser mentiroso

Filha de verão: (pequeno silêncio) - O que é que ele te disse?

Eu: - Um dia eu explico-te melhor.

Filha de verão: - E agora no novo emprego também vais ser jornalista?

Eu: - Não, não é bem a mesma coisa.

Filha de verão: - Então, mas já não és jornalista…

Eu: - Sou, sou! É difícil explicar…

Filha de verão: - Mãe…

Eu: - Hum?

Filha de verão: - Podemos ir ao parque?

Eu: - Podem!

 

 

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publicado às 21:24

Suspiro...

05.04.13

O vento finalmente acalmou. É noite. Um pouco de silêncio. Para esquecer os problemas. Para esquecer coisas que se calhar não são sequer problemas. Ser mãe é lixado. Ser pai também. Ele diz que vai sair agora da agência e que traz o k-line na mota, no meio das pernas. O k-line é para um TPC da filha do Verão. “Deixa lá, agora vens com isso de mota? Se calhar é perigoso…”. Ele diz que traz. E pergunta por elas que já estão a dormir. “Oohhhh…. Tinha uma surpresa”. Felizmente, amanhã é sábado. Esta foi uma semana difícil para mim. Para elas, também não foi fácil. Acho que é por isso que quiseram ir dormir às 20h30. De tempos a tempos, questiono-me sobre o enorme desafio que é educar. Dou voltas à cabeça. Nunca saberemos se estamos a fazer bem ou mal quando temos de tomar alguma decisão importante. Eu não suporto ver as minhas filhas chorarem. Por doença ou por tristeza. Por terem medo de alguma coisa. Não posso chorar à frente delas ou não quero.  Não é esse o meu papel. Tenho que ser um bocadinho mais do que isso. Eu sei que um dia vamos todas rir de algumas situações, como eu hoje faço com os meus pais. A filha da Primavera transformou-se num monstrinho da varicela. Nenhuma princesa gosta disso. A princesa do Verão pergunta-me o que é ser romântico, ao mesmo tempo que entra em stress porque quer saber fazer todas as grandes contas de matemática. Suspiro. Tanta coisa na cabeça. O melhor é dormir. Sem pesadelos. E esperar que amanhã a varicela tenha quase desaparecido como por magia, a matemática continue a ser uma coisa normal. E que é bom ser romântico. Um beijinho grande a todos os que me estão a ler e bom fim-de-semana!!! 

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publicado às 21:23

125 gramas de love

10.03.13

Hoje é domingo. Esta casa é enorme. Nunca nos aborrecemos. Há sempre muito para fazer. Hoje, depois de almoçarmos o salmão que marinei com o que aprendi na semana passada no Master Chef Austrália, deixei a panela ao lume. O creme de cenoura está quase pronto e arrefece para o jantar. Hoje é domingo. Elas voltam a pegar no livro das princesas que compraram na feira do livro, no colégio. Está lá uma receita de queques que querem experimentar. "Só depois da cozinha estar limpa outra vez!" 125 gramas de açúcar batem com 125 gramas de margarina. A princesa da primavera começa a primeira etapa, enquanto a princesa do verão parte dois ovos para uma taça, lá cai uma pequena casca. "Não tem mal, continua". É juntar os ovos ao açúcar e margarina que já estão transformados num creme fofo e amarelinho. 125 gramas de farinha que vai sendo envolvida, com colher de pau, aos poucos no preparado, ora a vez de uma mana, ora a vez de outra mana. Até agora, sem chamadas de atenção. A massa dos queques cheira bem. A princesa do verão revira os olhos e exclama aos gritos: "Hummmmmmm, que delícia". A filha da primavera pergunta, sob o entusiasmo da mais velha, se pode provar. "Espera... Ainda faltam duas colheres de sopa de leite". Mais uma mexida. Et voilá (que Paris está mais perto). Deixei-as rapar a taça. As formas estão prontas para ir ao forno. Fazemos uma calda de açúcar em pó, uma colher de sopa de sumo de limão, uma colher de sopa de água quente. São só 15 minutos no forno e mais uns quantos até arrefecerem. Depois é enfeitar. Elas estão muito contentes. A cozinha, bem, essa, parece que passou por aqui algum camião com areia em dia ventoso. Os queques ficaram divertidos. Eu que duvidei da receita, desde o primeiro instante, estou pasmada. É maravilhosa. O meu queque tem um coração vermelho em cima da calda branca. Está lindo e dou-lhe uma dentada e depois outra. Trinco a casca, a tal pequena casca de ovo que ficou esquecida. 125 gramas de love.

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publicado às 17:36

Nós

04.03.13

Eu nunca vesti um vestido de noiva. Tu nunca tiveste de usar um blaser e uma gravata para a ocasião. Mas chegaria o dia em que elas iriam perguntar, como hoje. A mais pequena: "Mas onde está a vossa roupa de casamento?" (tipo de frase: interrogativa) Pára, arranca. Enfiados no carro. "Nós nunca casámos. Há pessoas que casam. Há outras que não", explico. Elas sorriem no banco de trás, mas com pena de não terem lá em casa uma caixa enorme e um vestido branco até aos pés. Hoje não houve tempo para pequeno-almoço a dois. Nem há tempo para almoço a dois. O jantar será lasanha de ontem e uma taça de alface fresca que elas ainda andam a apreciar ao natural. Já sei que há um timing apertado para o tal trabalho da agência e que será controlado noite adentro. Assim somos nós, hoje, com 14 anos de namoro. Não há nada que mude isso. Nem a chuva, nem o vento.

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publicado às 12:45

Baixinho, baixinho...

07.01.13

Ela diz que a filha da Primavera sussura. Fala baixinho, muito baixinho. Um sorriso tímido porque, afinal, é um bocadinho envergonhada. Mas só no colégio. Em casa, ela canta, de manhã à noite, fala e grita e faz vozes para cada uma das bonecas. Diz coisas de criança, como a Rapunzel é tosta e a Pocahontas é bolacha. Coisas boas, portanto. Porque ela parte sempre pedaços de tosta quando come a sopa. E adora bolachinhas ao lanche. Aos 4 anos apercebemo-nos que já não há bebés cá em casa. Nem os nenucos que, a esses, ninguém ligou por aqui. É uma sensação estranha. Saber que já é menina. Que se senta correctamente às refeições, que come na perfeição de garfo e faca, que agradece. Que é educada em tudo. Que é inteligente e interessada. Que é meiga, doce, irresístivel. Eu sei que ela é envergonhada no colégio. Não faz mal. Já disse isso à Hélia. Não me preocupo com isso. No colégio também não há tostas para pôr na sopa! As diferenças são boas. E desde pequeninos parece ser inata a capacidade de darmos apenas de nós aquilo que queremos. E, na verdade, todos nós, em algum momento, já sentimos as bochechas coradas. Um dia, a Hélia vai vê-la no colégio como ela é em casa. Mas isso acontecerá naturalmente ou quando ela quiser. Mas só uma educadora que conhece verdadeiramente a minha filha escreveria no final do relatório de apreciação global: "É uma menina muito doce, muito meiguinha, uma princesa". 

 

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publicado às 15:34

My Anthropologie

07.01.13

 

O carteiro tocou duas vezes. Um toque energético. E quando eu perguntava quem era, já sabia que era ele. Disse: "Trago um presente". "Então suba!", respondi. Espero o elevador. Era uma embalagem gorda, branca, com borboletas a preto. Era a encomenda que esperava da Sónia. Tão bom! Recebi uma pulseira nova de presente, da Anthropologie. Veio para me fazer companhia em 2013. Já está no pulso e daqui não sai. (Obrigada, mana :-) ) E enquanto estou aqui sentada, frente a este Mac a precisar de reforma, viajo um bocadinho e estava mesmo a chegar aí e íamos fazer um mega shopping as duas! Mais cedo ou mais tarde, estaremos juntas de novo, não é? 

Ok, esta sou eu a falar com a minha irmã em pensamento. Porque a relação de amizade e amor que temos é assim algo que não se explica. Estou certa que tamanho "exemplo" acontecerá com as gerações mais novas. Tanto elas, como eles revelam-se inseparáveis, tal como nós sempre fomos. E a provar que falo a verdade só um entendimento muito grande faz com que a filha mais pequena vá a correr buscar uma cadeira ao seu quarto, põe-na junto ao armário da cozinha, chama a irmã e diz: "Joana, sobe e tira as moedas de chocolate". Rápido, rápido. Prova superada num trabalho de equipa. Ainda há tempo para abrir a gaveta: "Passa aí a tesoura". Et voilá! Depois do: "Vai agora que o pai não está a ver"... dou com elas, cada uma na sua cama, fofas, fofas, a comerem as moedas de chocolate que, julgava eu, estavam escondidas de mãozinhas pequenas. 

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publicado às 14:58

A partner

12.12.12

Do leopardo para a partner. O palco era o mesmo, o espectáculo completamente diferente com promessas de gargalhadas garantidas. Confirmou-se. Qual Ludvika, a minha filha de verão entra de salto alto e vestidinho. É uma das acompanhantes do Francisco Mendes numa alusão ao próprio Fernando Mendes do Preço Certo. Mas naquele Preço Certo, os concorrentes eram especiais: a virgem maria, jesus, josé e, claro, o burro. A partner está muito jeitosa no vestidinho e acompanha os convidados de um lado para o outro, lança sorrisos, faz aqueles gestos ensaiados que ficam sempre bem em TV. O espectáculo hoje era um elogio à TV ou uma paródia ao país que temos. Estava lá um bocadinho de tudo, desde os programas com mais audiências, ao bloco informativo com os repórteres sempre a acabar com "e por agora é tudo". Não faltaram anúncios atrás de anúncios a intercalar cada programa, desde o "Torres Doce", passando pela "Zoe" até à "Pera Rocher", o meu preferido. O pai natal que assistia a tudo isto (a ver televisão) e a reclamar da publicidade. "Mas nada disso seria possível sem a honra do grande e exoberante Francisco Mendes!!!", ouvia-se. Uns verdadeiros artistas estes miúdos. "E o preço certo desta montra final é....100 mil euros" Ganhou o burro. Nada mau para quem agora nem direito tem a estar no presépio.

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publicado às 20:39

Meu pequeno leopardo

11.12.12

Penso no meu pequeno leopardo em palco. Ainda há pouco tempo era um "passarito" como o meu pai lhe chamava. Hoje, na festa de natal do colégio, aparecia no papel de um jovem leopardo, elegante e ágil como na savana. Na história do rei leão, ali interpretada, penso no leopardo, penso nas gazelas, penso nas zebras, penso nas girafas, penso nos crocodilos, nos pássaros, nas hienas, no hakuna matata, no pumba. Penso no velho babuíno sábio interpretado por um educador. Hoje estivemos na selva. Audiência cheia. Fica sempre a saber a pouco. Por que nos habituaram mal naquele colégio desde o primeiro dia em que deixámos lá os miúdos e viemos de coração choramingas. Hoje são eles que não querem vir embora quando são horas de ir para casa. Temos estes presentes duas vezes por ano: um pelo natal, outro pelo fim do ano lectivo. Sabe sempre a pouco. Queremos sempre mais. Ver os nossos filhos brilhar. Serão sempre os mais bonitos, os mais especiais. Mas eu gosto também por todos os outros. Porque os conhecemos quase todos, um a um, pelos nomes. Gosto pela energia tão boa com que ficamos. Gosto porque sentimos a dedicação e profissionalismo de todos aqueles que são educadores ou auxiliares. Gosto porque sempre me surpreendem com magníficos espectáculos, teatros de cobrar bilhete à entrada. Este post é para a minha leopardinha bonita e irresístivel e para todos os que fazem parte deste mundo. As fotos seguem mais tarde. O sol já se pôs. Os leopardos vão à caça (em sonhos bonitos).

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publicado às 22:10

"El malão"

27.11.12

Eu prometo que não tenho nada a declarar. Eu prometo que desta vez não vou levar alheiras nem bacalhau. E que vou estar descansada e não sofrer com a humilhação de ser questionada na alfândega se levo algo delicado na mala. Podia sempre responder: "Sou portuguesa". Isso já explicaria a parte cultural e gastronómica da coisa. Mas desta vez levo apenas umas raivas de Aveiro. Não ocupam muito espaço mas farão as delícias de alguém no outro lado do Atlântico. Quando a saudade é muita justifica o "el malão". Amarelo vivo que é para se ver bem ao longe. Conto os dias. Vou ali e já venho. 

 

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publicado às 16:06

David

19.11.12

O meu carro parece uma discoteca. Sigo pela marginal. Atrás de mim, sinais de luzes. Olho pelo espelho e não vejo nada. Pouco depois o mesmo. Lembro-me que a mais pequena hoje calçou os Skechers de luzes... e à medida que se agita na cadeira e bate com os pés no banco, as luzes multiplicam-se em mil cores. O meu carro parece uma discoteca. A música a tocar, elas a ligarem a luz do tecto porque parece que ainda não são suficientes. E eu a pensar no David que nasceu ontem. Ainda não o vi. Só recebi uma foto pelo telemóvel mas tenho a certeza que deve ser ainda mais bonito ao vivo. O David é o primeiro filho de uma amiga de sempre. De repente tenho tudo na memória. A nossa amizade, as nossas férias, a nossa família, o parafuso da minha pasteleira branca a saltar e a bicicleta a desfazer-se pela estrada que nos leva das Azenhas à Praia das Maçãs. Porque há momentos que não se esquecem. Porque há pessoas que não se esquecem. Porque nasceu mais um bebé. Porque a Carla já é mãe. E será uma boa mãe, mesmo que tenha dúvidas. O meu carro parece uma discoteca. Quando o David for mais crescido vai conhecer aqui as DJ's.

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publicado às 19:09


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