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Xadrez e outras coisas

25.01.13

Começamos a manhã muito cedo. Nem acredito que me consegui sentar hoje a tomar o pequeno-almoço. Tudo ia bem. O relógio na parede da cozinha dizia-me que tinha tempo para estar sentada pelo menos mais sete minutos, precisamente. Nisto, viro a cabeça para o lado e quando dei por mim estava um tabuleiro de xadrez em cima da mesa. Stress. O leite da filha de Verão devia ter alguma coisa que lhe fez mal. Ninguém joga xadrez antes das 08h30. Além disso, eu nem sequer sei jogar. A filha de Verão suspira. E diz: "então vamos lá..." numa paz que me desconcerta. A filha da Primavera, diz que já comeu muito, como sempre. Não comeu quase nada. Depois, pergunta mais uma vez se falta muito para fazer anos e que gostava muito que eu lhe oferecesse a Ariel com o seu princípe. "Sim, logo se vê, come lá, come lá..." A manhã começa muito cedo. Mas hoje correu muito bem. O tabuleiro de xadrez desapareceu. Não me importo que elas sejam malucas por bonecas. Que façam chás e salas de aula, em que a Jasmin, a Mulan, a Rapunzel, são as alunas. Não  me importo nada porque também gostam de jogar xadrez. E de me ensinar novas estratégias de cálculos... que eu nunca aprendi! Elas foram para o colégio. Eu fui para o hipermercado. Mais uma vez, alguém ocupou o meu carrinho de compras. Para a próxima, vou levar uma caneta de acetato e vou escrever em letras pequeninas: ACA. E depois vou aguardar, perguntar à pessoa que ficou com o meu carrinho se sabe o que aquilo quer dizer: ACA. Sim, é Ana Cunha Almeida. Isso mesmo. Enquanto arrumava as compras e a cozinha, encontrei o tabuleiro de xadrez todo preparado no armário dos pratos. 

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publicado às 14:45

Ser ou não ser desgraçada

17.01.13

Vem isto a propósito de um desabafo da Catarina Beato no http://diasdeumaprincesa.blogspot.pt/ Sobre a vergonha que alguns desempregados sentem cada vez que compram alguma coisa que fuja ao estritamente essencial. Umas botas novas, por exemplo, como ela contava. Esta semana também andei com o pensamento a fugir-me para o tema. Há um sentimento na sociedade de que os desempregados são desgraçados e, como tal, têm de ser miseráveis. Mais ou menos isto. Só não o sinto mais na pele porque realmente não olho para mim como miserável. Já senti culpa, confesso. De entrar numa loja e pensar: “O que é que estás aqui a fazer?” Culpada não sei do quê, pois não fiz nada para isto acontecer. Também já me senti ofendida por empregadas que falam como se fossem milionárias. Quando, na verdade, devem receber menos do que eu recebo de subsídio de desemprego. “Ah, estes brincos venderam-se todos logo…”, dizem isto com uma superioridade e estamos a falar de brincos a 50 e a 80 euros. Aliás, o que mais nós vemos na rua são brincos daqueles aos caídos, uma pechincha! Bem, o que eu sei é que hoje tenho sono e acordei rabujenta. Mas já me passa. Não termino a semana sem ir ao Centro de Emprego de Cascais, mostrar que sou uma menina bonita. Que cumpro as minhas obrigações. Que estou fazer tudo certo! Lá levarei o dossier debaixo do braço e os caracóis a balançar. E aviso já que quando sair da fiscalização idiota, passo a estrada para o outro lado e entro na Comptoir des Cotonniers porque preciso de um casaco novo. E estamos em saldos. Um beijinho para a Catarina.

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publicado às 12:26

As amendoeiras em flor

15.01.13

As clementinas que comprei no mercado de Olhão na manhã de Sábado já desapareceram quase todas. As miúdas deram cabo delas. Bem dizia a senhora que eram "mel, puro mel", a 30 cêntimos o kg. Arrependo-me, agora, de não ter comprado mais. Eu sempre gostei de mercados, desde pequena. E aquele deu para dar várias voltas. Voltas e mais voltas. As cenouras eram todas a 80 cêntimos/kg. E quando encontrei a 60 cêntimos, já só restavam na banca três ou quatro. Quem sabe comprar em mercados, sabe. Eu era apenas uma turista acidental por ali. Mas ainda comprei clementinas e limões. Trouxe o cheiro das laranjas, sobretudo. A imagem das amendoeiras já em flor, algumas com fruto, embora ainda tenham de esperar pelo calor. Trouxe ideias para cozinhar alfarrobas e fiquei a saber que há plantações de pêra abacate no Algarve, pelo menos de três espécies diferentes. Penso na salada de abacate que vou fazer quando estiverem no ponto. Trocos nas mãos. Uma senhora que se recusa a aceitar 3 cêntimos: "Deixe lá isso, menina". Ali, ainda sou menina. 

Sol e frio num Algarve de inverno, quase deserto. Eu passei por Olhão, mas prometo que não andei a roubar alumínio e ferro... 

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publicado às 15:34

Baixinho, baixinho...

07.01.13

Ela diz que a filha da Primavera sussura. Fala baixinho, muito baixinho. Um sorriso tímido porque, afinal, é um bocadinho envergonhada. Mas só no colégio. Em casa, ela canta, de manhã à noite, fala e grita e faz vozes para cada uma das bonecas. Diz coisas de criança, como a Rapunzel é tosta e a Pocahontas é bolacha. Coisas boas, portanto. Porque ela parte sempre pedaços de tosta quando come a sopa. E adora bolachinhas ao lanche. Aos 4 anos apercebemo-nos que já não há bebés cá em casa. Nem os nenucos que, a esses, ninguém ligou por aqui. É uma sensação estranha. Saber que já é menina. Que se senta correctamente às refeições, que come na perfeição de garfo e faca, que agradece. Que é educada em tudo. Que é inteligente e interessada. Que é meiga, doce, irresístivel. Eu sei que ela é envergonhada no colégio. Não faz mal. Já disse isso à Hélia. Não me preocupo com isso. No colégio também não há tostas para pôr na sopa! As diferenças são boas. E desde pequeninos parece ser inata a capacidade de darmos apenas de nós aquilo que queremos. E, na verdade, todos nós, em algum momento, já sentimos as bochechas coradas. Um dia, a Hélia vai vê-la no colégio como ela é em casa. Mas isso acontecerá naturalmente ou quando ela quiser. Mas só uma educadora que conhece verdadeiramente a minha filha escreveria no final do relatório de apreciação global: "É uma menina muito doce, muito meiguinha, uma princesa". 

 

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publicado às 15:34

My Anthropologie

07.01.13

 

O carteiro tocou duas vezes. Um toque energético. E quando eu perguntava quem era, já sabia que era ele. Disse: "Trago um presente". "Então suba!", respondi. Espero o elevador. Era uma embalagem gorda, branca, com borboletas a preto. Era a encomenda que esperava da Sónia. Tão bom! Recebi uma pulseira nova de presente, da Anthropologie. Veio para me fazer companhia em 2013. Já está no pulso e daqui não sai. (Obrigada, mana :-) ) E enquanto estou aqui sentada, frente a este Mac a precisar de reforma, viajo um bocadinho e estava mesmo a chegar aí e íamos fazer um mega shopping as duas! Mais cedo ou mais tarde, estaremos juntas de novo, não é? 

Ok, esta sou eu a falar com a minha irmã em pensamento. Porque a relação de amizade e amor que temos é assim algo que não se explica. Estou certa que tamanho "exemplo" acontecerá com as gerações mais novas. Tanto elas, como eles revelam-se inseparáveis, tal como nós sempre fomos. E a provar que falo a verdade só um entendimento muito grande faz com que a filha mais pequena vá a correr buscar uma cadeira ao seu quarto, põe-na junto ao armário da cozinha, chama a irmã e diz: "Joana, sobe e tira as moedas de chocolate". Rápido, rápido. Prova superada num trabalho de equipa. Ainda há tempo para abrir a gaveta: "Passa aí a tesoura". Et voilá! Depois do: "Vai agora que o pai não está a ver"... dou com elas, cada uma na sua cama, fofas, fofas, a comerem as moedas de chocolate que, julgava eu, estavam escondidas de mãozinhas pequenas. 

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publicado às 14:58

Diz que é 2013!

03.01.13

Só com o regresso à escola é que se põe fim aos doces de Natal. As miúdas lá foram. Mais crescidas, uma mais desdentada. Eu fiquei cansada de tanta comida, tanta guloseima. Chega de filhoses, de rabanadas, de frutas cristalizadas, de frutos secos, de chocolates ... de Pandoro com mascarpone. Preciso de tempo para me encher de doces outra vez. Achei graça à "Sábado" hoje, com o tema de capa. Não sigo dietas mas que me apetece fazer dieta, apetece. Refresh. É um novo ano. Ainda não dei muito pela diferença mas é um novo ano. Todos querem um emprego, um desafio, alguma coisa nova para começar profissionalmente. Eu sei, não é um desejo original. Mas quantos portugueses trincaram as passas à meia-noite e pediram um emprego? A vida continua. Neste início de ano novo continua tudo igual. Continuo a não abrir os sites de emprego. Não há emprego. Há aldrabices e chico-espertismo. Está sol e frio. Já estamos em 2013. E segundo os astrólogos eu vou estar em grande porque sou escorpião! 

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publicado às 14:56


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