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Ser ou não ser desgraçada

17.01.13

Vem isto a propósito de um desabafo da Catarina Beato no http://diasdeumaprincesa.blogspot.pt/ Sobre a vergonha que alguns desempregados sentem cada vez que compram alguma coisa que fuja ao estritamente essencial. Umas botas novas, por exemplo, como ela contava. Esta semana também andei com o pensamento a fugir-me para o tema. Há um sentimento na sociedade de que os desempregados são desgraçados e, como tal, têm de ser miseráveis. Mais ou menos isto. Só não o sinto mais na pele porque realmente não olho para mim como miserável. Já senti culpa, confesso. De entrar numa loja e pensar: “O que é que estás aqui a fazer?” Culpada não sei do quê, pois não fiz nada para isto acontecer. Também já me senti ofendida por empregadas que falam como se fossem milionárias. Quando, na verdade, devem receber menos do que eu recebo de subsídio de desemprego. “Ah, estes brincos venderam-se todos logo…”, dizem isto com uma superioridade e estamos a falar de brincos a 50 e a 80 euros. Aliás, o que mais nós vemos na rua são brincos daqueles aos caídos, uma pechincha! Bem, o que eu sei é que hoje tenho sono e acordei rabujenta. Mas já me passa. Não termino a semana sem ir ao Centro de Emprego de Cascais, mostrar que sou uma menina bonita. Que cumpro as minhas obrigações. Que estou fazer tudo certo! Lá levarei o dossier debaixo do braço e os caracóis a balançar. E aviso já que quando sair da fiscalização idiota, passo a estrada para o outro lado e entro na Comptoir des Cotonniers porque preciso de um casaco novo. E estamos em saldos. Um beijinho para a Catarina.

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publicado às 12:26



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